segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Mistura de ritmos marca o cenário musical em Juazeiro-BA

Por: Thamires Costa e Kelly Cora Macedo
O mundo tem passado por diversas transformações em grande velocidade e a música, forma clara de expressão da humanidade, exemplifica bastante essas mudanças. Os ritmos se misturam, as batidas se fundem e os sons da música brasileira se renovam. Não é difícil encontrar por aí forró com uma pegada mais agressiva de rock  ou mesmo com uma batida de axé, e vice-versa. Até mesmo o pé-de-serra teve a guitarra ajuntada na melodia da sanfona.
Juazeiro, cidade cultural do sertão baiano tem passado também por essas transformações no cenário musical. Novos artistas tem surgido e, agregado a eles, melodias variadas. De longe pode-se ouvir nos barzinhos, grandes sucessos da MPB e do rock nacional sendo cantados nos ritmos que se tornaram comuns. Dentre todos, o arrocha sai na frente.
Na variedade de ritmos na cidade, de acordo com o DJ Verton Alves, em suas festas, as mais pedidas são as músicas eletrônicas na voz de artistas pop internacionais, como David Gueta, Madonna  e Beyoncé estão sempre no topo. Já nas baladas onde o DJ Werson marca presença, o mix de ritmos é marcante, desde  pagode, sertanejo universitário, e, é claro, as eletrônicas.

Para a estudante de jornalismo e apaixonada por música, Lidiane Lopes, apesar de o forró eletrizado e o arrocha serem os mais ouvidos na região, graças aos festivais alternativos, as pessoas tem aprendido a curtir também rock e reggae, dois dos ritmos preferidos da estudante. No entanto, samba e jazz, por exemplo, poderiam ser mais bem aceitos, mas, segundo ela, pelo fato de não estarem na mídia como os outros, isso não acontece.
O professor e jornalista Jota Menezes afirma que a produção musical brasileira tem estado cada vez pior. Segundo Jota, os produtores independentes ou de gravadoras fazem negociatas com donos de emissoras ou chefes de programação para 'venderem' lixo sonoro e os artistas que procuram dar qualidade ao seu trabalho são excluídos do processo. "O mais importante é o que dá lucro, que por sua vez, não está pautado na qualidade, mas na mediocridade", enfatiza Menezes.
Ainda de acordo com o professor, existem  trabalhos alternativos pautados nos valores regionais, como Matingueiros e Comando Virgulino, mas mesmo esses merecem uma repaginação. "Está mais do que na hora de renovarmos essa temática que não seja pautada apenas em seca, fome, melancolia, miséria. Penso que os artistas regionais, inclusive os mais conhecidos tem insistido num discurso que não traduz mais a nossa realidade e ai passa a ideia de oportunismo na sanfona do Velho Lua, repetindo de forma exaustiva as mesmas coisas." conclui.

Pauta: Angel Farias
Texto: Thamires Costa e Kelly Cora Macedo
Imagens: Elinete Carvalho
Editora-Chefe: Kelly Cora Macedo

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