Por:
Thamires Costa e Kelly Cora Macedo
O
mundo tem passado por diversas transformações em grande velocidade e a música, forma
clara de expressão da humanidade, exemplifica bastante essas mudanças. Os
ritmos se misturam, as batidas se fundem e os sons da música brasileira se
renovam. Não é difícil encontrar por aí forró com uma pegada mais agressiva de
rock ou mesmo com uma batida de axé, e
vice-versa. Até mesmo o pé-de-serra teve a guitarra ajuntada na melodia da
sanfona.
Juazeiro,
cidade cultural do sertão baiano tem passado também por essas transformações no
cenário musical. Novos artistas tem surgido e, agregado a eles, melodias
variadas. De longe pode-se ouvir nos barzinhos, grandes sucessos da MPB e do
rock nacional sendo cantados nos ritmos que se tornaram comuns. Dentre todos, o
arrocha sai na frente.
Na
variedade de ritmos na cidade, de acordo com o DJ Verton Alves, em suas festas,
as mais pedidas são as músicas eletrônicas na voz de artistas pop
internacionais, como David Gueta, Madonna
e Beyoncé estão sempre no topo. Já nas baladas onde o DJ Werson marca presença,
o mix de ritmos é marcante, desde pagode,
sertanejo universitário, e, é claro, as eletrônicas.
Para
a estudante de jornalismo e apaixonada por música, Lidiane Lopes, apesar de o
forró eletrizado e o arrocha serem os mais ouvidos na região, graças aos
festivais alternativos, as pessoas tem aprendido a curtir também rock e reggae,
dois dos ritmos preferidos da estudante. No entanto, samba e jazz, por exemplo,
poderiam ser mais bem aceitos, mas, segundo ela, pelo fato de não estarem na
mídia como os outros, isso não acontece.
O
professor e jornalista Jota Menezes afirma que a produção musical brasileira
tem estado cada vez pior. Segundo Jota, os produtores independentes ou de
gravadoras fazem negociatas com donos de emissoras ou chefes de programação
para 'venderem' lixo sonoro e os artistas que procuram dar qualidade ao seu trabalho
são excluídos do processo. "O mais importante é o que dá lucro, que por
sua vez, não está pautado na qualidade, mas na mediocridade", enfatiza Menezes.
Ainda
de acordo com o professor, existem trabalhos alternativos pautados nos valores
regionais, como Matingueiros e Comando Virgulino, mas mesmo esses merecem uma
repaginação. "Está mais do que na hora de renovarmos essa temática que não
seja pautada apenas em seca, fome, melancolia, miséria. Penso que os artistas
regionais, inclusive os mais conhecidos tem insistido num discurso que não
traduz mais a nossa realidade e ai passa a ideia de oportunismo na sanfona do
Velho Lua, repetindo de forma exaustiva as mesmas coisas." conclui.
Pauta: Angel Farias
Texto: Thamires Costa e Kelly Cora Macedo
Imagens: Elinete Carvalho
Editora-Chefe: Kelly Cora Macedo
Pauta: Angel Farias
Texto: Thamires Costa e Kelly Cora Macedo
Imagens: Elinete Carvalho
Editora-Chefe: Kelly Cora Macedo
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