segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Impactos ambientais e sociais: O outro lado da transposição do Rio São Francisco

Por: Jorge Luis Alencar e Etelvir Santos
Fotos: Jorge Luis Alencar e Biblioteca do Google

Os impactos ambientais e sociais na transposição do Rio São Francisco foram discutidos durante o I Congresso de Integração Acadêmica e Social (CONINTA) da Faculdade do São Francisco de Juazeiro. Os palestrantes Celso Franco, professor de Sociologia da Faculdade de Ciências Aplicadas de Petrolina, e a Bióloga Carla Daniela, esclareceram de uma forma didática a real situação desse projeto.

Eixo Norte da Transposição na cidade de Cabrobó
A transposição do rio foi aprovada e iniciada durante o primeiro mandato do presidente Lula, tendo em seu projeto cláusulas e aportes sociais e ambientais, mas que durante a construção não foram levadas em considerações pelo governo e empreiteiras. Para a bióloga Carla Daniela, contratada para monitorar os efeitos das obras da transposição do Rio São Francisco e seus impactos na fauna e flora da caatinga, a maioria dos profissionais que trabalhava na transposição não tinha nenhum conhecimento da região o que trouxe diversos prejuízos para o meio ambiente.

Carla Daniela
Segundo a bióloga, de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) feito pelo Governo Federal sobre a transposição, dos 49  impactos ambientais, 38 são de extrema gravidade para a comunidade local. O Ibama  aponta para a perda de matas endêmicas, redução de habitats da fauna, redução da biodiversidade entre os peixes, e proliferação de espécie nocivas ao homem.

No lado social acontece o baixo preço pago pelas terras desapropriadas pelo governo. A divisão dessas terras em duas áreas sem passagens para o agricultor, que agora necessita de uma ponte sobre o canal para poder chegar ao outro lado. Tribos indígenas das etnias Truká e Pipipã terão que deixar suas terras, pressão sobre a infraestrutura urbana, perdas das relações sócio comunitárias nas áreas quilombolas durante a fase da construção da obra e interferência no patrimônio cultural da região.

Celso Franco critica a forma como foi feita o projeto da transposição. Para ele,  empreendimentos dessa magnitude que envolvem aspectos sociais, políticos, econômicos e ambientais necessitam de ações mais integradas, e que contemple a todos para que haja realmente um desenvolvimento regional. A começar pela revitalização da bacia hidrográfica do rio, que até o momento não foi proposto nenhuma ação pelo Governo Federal sobre o tema.

Celso Franco
"Esse projeto  é mais uma obra eleitoreira como tantas outras feitas em governos anteriores e que no fundo só visa beneficiar a industria do agronegócio". Franca  complementa citando o exemplo do projeto de irrigação da região do Vale do São Francisco, que beneficia somente a agricultura para exportação.

O I Congresso de Integração Acadêmica e Social (CONINTA) foi realizado nos dias 19 a 21 de agosto de 2015 na Faculdade do São Francisco de Juazeiro, tendo como tema central Impactos Ambientais e Sustentabilidade.


Coninta

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