Por: Jorge Luis Alencar e Etelvir Santos
Fotos: Jorge Luis Alencar e Biblioteca do Google
A transposição do rio foi
aprovada e iniciada durante o primeiro mandato do presidente Lula, tendo em seu
projeto cláusulas e aportes sociais e ambientais, mas que durante a construção
não foram levadas em considerações pelo governo e empreiteiras. Para a bióloga
Carla Daniela, contratada para monitorar os efeitos das obras da transposição do
Rio São Francisco e seus impactos na fauna e flora da caatinga, a maioria dos
profissionais que trabalhava na transposição não tinha nenhum conhecimento da
região o que trouxe diversos prejuízos para o meio ambiente.
Segundo a bióloga, de
acordo com o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) feito pelo Governo Federal
sobre a transposição, dos 49 impactos
ambientais, 38 são de extrema gravidade para a comunidade local. O Ibama aponta para a perda de matas endêmicas, redução
de habitats da fauna, redução da biodiversidade entre os peixes, e proliferação
de espécie nocivas ao homem.
"Esse projeto é mais uma obra eleitoreira como tantas outras
feitas em governos anteriores e que no fundo só visa beneficiar a industria do agronegócio".
Franca complementa citando o exemplo do
projeto de irrigação da região do Vale do São Francisco, que beneficia somente
a agricultura para exportação.
Os impactos ambientais
e sociais na transposição do Rio São Francisco foram discutidos durante o I
Congresso de Integração Acadêmica e Social (CONINTA) da Faculdade do São
Francisco de Juazeiro. Os palestrantes Celso Franco, professor de Sociologia da
Faculdade de Ciências Aplicadas de Petrolina, e a Bióloga Carla Daniela,
esclareceram de uma forma didática a real situação desse projeto.
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Eixo Norte da Transposição na
cidade de Cabrobó
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| Carla Daniela |
No lado social acontece
o baixo preço pago pelas terras desapropriadas pelo governo. A divisão dessas
terras em duas áreas sem passagens para o agricultor, que agora necessita de
uma ponte sobre o canal para poder chegar ao outro lado. Tribos indígenas das
etnias Truká e Pipipã terão que deixar suas terras, pressão sobre a
infraestrutura urbana, perdas das relações sócio comunitárias nas áreas
quilombolas durante a fase da construção da obra e interferência no patrimônio
cultural da região.
Celso Franco critica a
forma como foi feita o projeto da transposição. Para ele, empreendimentos dessa magnitude que envolvem
aspectos sociais, políticos, econômicos e ambientais necessitam de ações mais
integradas, e que contemple a todos para que haja realmente um desenvolvimento
regional. A começar pela revitalização da bacia hidrográfica do rio, que até o
momento não foi proposto nenhuma ação pelo Governo Federal sobre o tema.
| Celso Franco |
O I Congresso de
Integração Acadêmica e Social (CONINTA) foi realizado nos dias 19 a 21 de agosto
de 2015 na Faculdade do São Francisco de Juazeiro, tendo como tema central Impactos Ambientais e Sustentabilidade.

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